Sassá Mutema

Se há uma coisa que me repugna no futebol português, é o esquema do compadrio e das alianças entre determinados clubes para conseguirem vantagens ilícitas e imerecidas.

Nesse aspecto, fico feliz por o Benfica ter largado o Alverca e o Estoril, porque não quero que esses aliados de circunstância minem e retirem mérito à vitória que quero festejar, sem reservas, no final.

O Sporting tem-se mantido longe dessas brincadeiras de bastidores e até acaba por ser prejudicado ao ver alguns dos seus jogadores reaproveitados por outros clubes, como aconteceu com o Simão, o Quaresma, o Viana e agora o Varela.

O Porto continua o grande especialista nessa matéria do compadrio e a nova coqueluche é o Braga.

Não é segredo algum que o Braga é o novo Porto B, com direito a lutar pelo título em nome e representação do Porto A. Resta saber se chegando às jornadas finais vamos ver uma manobra digna da F1 (basta recordar quando o Barrichello deixava o Schumacher passar a 10 cm da linha da meta).

As evidências dessa mútua aliança estão bem escarrapachadas em diversos factos do conhecimento geral.

Não há, portanto, que estranhar que o Domingos Paciência quase tenha chorado na conferência de imprensa quando o Braga inadvertidamente e num puro golpe de sorte roubou 3 pontos ao Porto, com um ressalto espectacular da autoria conjunta do Alan, de um lateral qualquer merdoso e do enorme Helton.

Também não há que estranhar que em pleno mercado de Inverno o Porto (a 6 pontos da liderança) empreste um avançado (se é que se pode chamar isso ao Renteria) ao Braga.

Ainda mais nobre foi a cena caricata ocorrida na época passada, quando o Presidente do Braga concordou em aparecer ao lado do Pinto da Costa, na Tribuna Presidencial do Dragão, num jogo entre o Porto e o Guimarães (com quem o Porto estava zangado por causa das denúncias na UEFA), num perfeito gesto de pirraça para com o homólogo vimaranense, repelido para um canto da referida tribuna.

Há muitos mais exemplos, mas esta ascensão do Braga, que já vimos num passado recente embora com outro protagonista – o Boavista -, vai novamente criar duas únicas vítimas: o própio Braga e o Porto.

O Porto, porque está a financiar a sua própria relegação para o 3º lugar do campeonato. Basta pensar se o Braga facilitaria (como ainda faz o Olhanenense) caso tenha de jogar com os tripeiros num futuro próximo e com a liderança do campeonato em disputa.

O Braga, porque no dia em que se acabar a “amizade”, fica refém de expecatativas demasiado elevadas e será incapaz de corresponder aquilo que os sócios esperam do clube.

Só para dar mais um exemplo, hoje o Presidente do Braga, António Salvador, veio dizer o seguinte: “Dentro de campo, o Sp. Braga tem demonstrado toda a sua qualidade, brio e profissionalismo, sendo, de forma legítima, o líder do Campeonato Nacional – e não precisamos de antecipar jornadas para sermos os primeiros -, mas fora das quatro linhas tudo têm feito para nos retirar esse estatuto. Nunca me escondi – e certamente, não o irei fazer agora – na defesa do bom nome do SC Braga

É verdade que dentro do campo o Braga tem demonstrado alguma qualidade, sendo aliás a única equipa capaz de nos vencer.

Mas é também verdade que fora do campo, mais propriamente nos túneis, têm estado ao nível do actual terceiro classificado. E é precisamente a esse nível que têm estado no que toca à política de vitimização, como se fosse normal os jogadores andarem em agressões dentro dos túneis.

Também nesse aspecto, parece que toda a gente agora esquece que o Cardozo cumpriu 2 jogos e foi expulso no intervalo do jogo com o Braga. Mas é bom que esqueçam, porque o Cardozo tem coisas muito mais interessantes para ser recordado nesta época.

Por fim, convém explicar ao Presidente do Braga que a frase dele não faz sentido. Não pode dizer que é o líder de forma legítima e depois, praticamente na mesma linha, dizer que não precisa antecipar jornadas para ser líder. Alguém lhe devia dizer que o jogo foi ontem e que ganhámos 3-0, portanto agora o Braga é segundo, e o segundo não é líder de coisa nenhuma, embora naturalmente dependa apenas de si para recuperar a liderança.

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